ruggah (Astralis): “Somos o CS dinamarquês clássico. TyLoo é o oposto. Vai ser um choque de estilos”
Belgrado, Sérvia — Em contagem regressiva para a grande final do FISSURE PLAYGROUND 1 — CS, conversamos com Kasper “ruggah” Due, treinador da Astralis. O dinamarquês falou sobre a vitória tensa nas semifinais, o duelo contra a TYLOO, as mudanças no CS2 e os desafios emocionais da função de coach. E ainda listou as cinco qualidades que um bom técnico precisa ter.
“O jogo foi um duelo de blefes — tínhamos ideias parecidas com Boombl4”
— Parabéns pela classificação! Foi uma semifinal intensa. Como você viu a partida como treinador?
Pra mim, foi uma partida de blefes. Percebi durante a preparação que eu e Boombl4 usamos estratégias muito parecidas em certos tipos de rounds.
Então, tudo se resumiu a quem conseguiria enganar melhor o outro. Isso valeu até pros primeiros rounds armados.
Acho que ganhamos na preparação, mas ele fez um ótimo trabalho em adaptar o time no meio do jogo.
“A TYLOO é tudo que nós não somos”
— Agora vem a final contra a TYLOO. Eles surpreenderam a todos. É um adversário confortável?
Não diria isso. Eles são o oposto de nós.
Jogamos o CS clássico dinamarquês: trocas bem coordenadas, flashes na hora certa, comunicação rápida, decisões racionais.
A TYLOO às vezes só sai atirando — e ganham as trocas na mira.
Vai ser um choque de estilos. Precisamos impor o nosso ritmo antes que eles imponham o deles.
“Esse torneio nos colocou no ritmo certo”
— Como está sendo o torneio? Gostando da estrutura? A equipe voltou bem das férias?
Muito melhor do que jogar em evento menor. Mesmo com a pausa, tivemos que dar 100%.
Precisávamos voltar ao ritmo competitivo, e esse foi o evento ideal pra isso.
Fizemos uma semana intensa de treino coletivo, e trouxemos esse resultado pra Belgrado.
Acho que estamos um ou dois passos à frente da maioria. Não porque eles são fracos, mas porque já encontramos o nosso ritmo.
“Todo mundo acordou gritando: o Overpass voltou!”
— O que achou do novo patch: Overpass de volta, bônus por kill, nerf no MP9?
Estávamos esperando o Overpass há tempos. Engraçado: os jogadores foram dormir achando que jogariam Cache…
Acordaram e gritaram: “Finalmente, ele voltou!”.
Era um dos nossos mapas fortes, então foi uma ótima surpresa.
— E sobre o MP9 e o bônus por eliminações?
Ainda não testamos muito. Os jogadores brincaram um pouco no Faceit.
A ideia do bônus é boa, mas talvez esteja um pouco forte demais.
Talvez precise considerar se o round foi ganho ou perdido.
Mas é positivo ver a Valve pensando em economia — já é um bom sinal.
“Tiraria o Dust2 e traria o Cobblestone de volta”
— Se pudesse mudar o mapa pool, o que faria?
Tiraria o Dust2. Gosto dele, mas no CS2 está muito previsível — como o Anubis.
Espero que ele volte reformulado.
E o Cobblestone… é minha fraqueza. Muita gente odeia assistir, mas como técnico, ele é um paraíso tático.
Adoraria trabalhar nesse mapa de novo.
“Um bom técnico é pai, coordenador e terapeuta”
— Pode citar 5 qualidades de um bom treinador?
Depende da personalidade. Alguns são analíticos, fissurados em demos. Aí você precisa ser focado nos detalhes e estatísticas.
Mas hoje, muitos combinam isso com o papel de figura paterna ou irmão mais velho.
Você precisa ser estruturado, se comunicar bem, coordenar o time e fazer com que todos funcionem como um só.
O CS é construído em cima disso.
— E no que você está trabalhando agora, pessoalmente?
Estou com um coach de performance. Meu desafio são as emoções: fico no topo quando vencemos e sumo quando perdemos.
Agora estou praticando visualização antes das partidas, pra manter a estabilidade emocional.
Isso me ajuda a ser útil na tática mesmo em momentos de estresse.
— Muito obrigado pela entrevista, ruggah. Boa sorte na final!
Obrigado! Até mais.